domingo, 27 de abril de 2008

"Labirinto ou não foi nada"


"Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua. . .
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor."


David Mourão Ferreira

1 comentário:

VioletaMota disse...

Desculpa lá, mas este poema, já eu o tinha seleccionado para o "meu" blog.
Gosto,gosto, gosto, claro, e a fotografia, lindo...
bjs